Quase 700 mil brasileiros não sabem que têm colesterol alto por herança.
Instituto quer mapear famílias inteiras que tenham o problema e tratar.

Quase 700 mil brasileiros não sabem, mas receberam uma herança de que não fariam a menor questão. Nesta quinta-feira (24), o Instituto do Coração, em São Paulo, fez uma campanha para alertar sobre os perigos dessa herança para a saúde.

Saiba o que fazer se você tiver colesterol alto por herança genética

Aquele 7×1 para a Alemanha foi o primeiro suspeito. “No dia seguinte, ela enfartou. Com 47 anos”, contou Lenilde Alves, bancária.

Quando a irmã caçula da Lenilde enfartou, nem ela nem a mãe, desconfiaram da genética. “Não era a Alemanha. Era o colesterol alto. Era o gene da mãe”, explicou Lenilde.

Ricardo tem os olhos, o nariz e o sorriso do pai, e herdou também coisas que não estão assim na cara. “Meu colesterol total chegou a 610”, contou Ricardo Ayub, filho.

E olha que o coração do pai, Seu Eduardo, já tinha dado muitas pistas. “Foram feitas três pontes de safena em 1980”, conta Eduardo.

Em 1986, ele enfartou. Três anos depois, outro susto: duas mamárias e uma safena. Até que, em 2000, veio o diagnóstico certinho Nome difícil: hipercolesterolemia.

Foi aí que o filho, Ricardo, descobriu por que apesar de fazer exercícios e dieta, o colesterol não baixava. “Tava iniciando o estudo genético do DNA do sangue. E foi aí que descobriram que o meu problema era o hipercolesterolemia familiar”, explicou Ricardo.

Os males do colesterol alto até que já são velhos conhecidos de muita gente, mas o colesterol alto de origem genética, familiar está adoecendo e matando sem que a maioria saiba. E a equipe do Incor quer mudar isso. Primeiro, um exame simples de sangue. Se o colesterol estiver muito alto, acima de 300, vem a indicação para novos exames.

O Incor está fazendo campanha em São Paulo, mas pode mandar pelo correio kits para colher sangue em todo o Brasil e fazer os exames genéticos lá. A ideia é mapear famílias inteiras que tenham o problema e tratar todo mundo.

“Quanto mais cedo feito esse diagnóstico, mais cedo esses indivíduos podem ser tratados. As crianças, na maioria das vezes, não tomam o remédio, mas elas podem começar uma dieta mais apropriada desde cedo”, afirmou Viviane Zorzanelli Rocha, cardiologista.

A Lenilde escapou da herança do colesterol alto, mas um monte de gente na família já está em tratamento. “Umas 15 pessoas. Dez foram constatados”, contou Lenilde.

Tomando remédio e se cuidando, Ricardo vive muito bem e até Seu Eduardo e Dona Helena estão confiantes na capacidade da medicina de ‘dar um olé’ na genética.

Pacientes de todo o Brasil com suspeita de colesterol alto por herança genética podem entrar em contato com o programa do Instituto do Coração de São Paulo.

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